Cenário Mundial e violência contra a mulher

“A violência contra as mulheres não está confinada a uma cultura, uma região ou um país específico, nem a grupos de mulheres em particular dentro de uma sociedade. As raízes da violência contra as mulheres decorrem da discriminação persistente contra as mulheres”. (ONU)

 

A violência contra mulheres e meninas é uma grave violação dos direitos humanos. Apesar disso, constitui-se em um dos crimes mais cometidos e tolerados no mundo inteiro. Os números não nos deixam dúvidas acerca desta triste realidade global. Uma em cada três mulheres no mundo já sofreu violência física ou sexual, cerca de 120 milhões de meninas já foram submetidas a sexo forçado e 133 milhões de mulheres e meninas sofreram mutilação genital, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU). Cerca de 70% das mulheres do mundo sofrem algum tipo de violência no decorrer de sua vida, diz a organização. Em todo o mundo, uma em cada cinco mulheres será vítima de estupro ou tentativa de estupro, calcula a ONU.

 

Dados da ONU também mostram que no Iêmen, Kuait, Sudão, Bahrein, na Argélia e no Marrocos, o marido agredir a própria mulher não é crime. No Líbano não existe punição para o marido que forçar a própria mulher a fazer sexo com ele. Nos Emirados Árabes, na Arábia Saudita e no Sudão, vítimas de estupros que procuram a polícia podem ser presas por adultério.

 

Em Gana, Togo, Benin e onde santuários religiosos tradicionais ainda é praticada a “Servidão Ritual”. Geralmente são oferecidas meninas virgens, no pagamento de serviços ou na expiação religiosa por alegados crimes de um membro da família. Se uma menina foge ou morre, ela deve ser substituída por outra menina da família. Além de prestar todo tipo de trabalho difícil sem nenhuma remuneração se tornam parceiras sexuais do sacerdote.

 

Dados da ONU também mostram que no Egito depois da queda do presidente Hosni Mubarak em 2011, mais de 90% da mulheres foram expostas ao assédio sexual. Na Arábia Saudita mulheres são proibidas de conduzir um veículo e também de sair sozinha à rua. Só a partir de 2015 elas terão direito ao voto e também de serem votadas no âmbito municipal. As leis afegãs incluem apedrejamento e forca para as adúlteras e o simples fato de deixar os tornozelos à mostra justifica o espancamento.

 

Na Ásia há frequentes ataques com ácido contra as mulheres. Desde 1994 foram registrados mais de 7.800 casos de mulheres que foram escaldadas ou queimadas e quase totalmente ignoradas pelas autoridades. Apenas em 2% dos casos alguém foi condenado. De acordo com o estudo Global Burden of Disease, realizado pela OMS, edição 2012, as queimaduras são a 7ª causa mais comum de morte entre as mulheres com idades entre 15 e 44 anos em todo o mundo. Na região sudeste da Ásia, o fogo foi a 3ª causa mais comum dessas mortes.

 

De acordo com ONG Rape Crisis, que combate a violência contra a mulher, na Cidade do Cabo, a cada 27 segundos uma mulher é abusada sexualmente na África do Sul. Uma em cada três sul-africanas será violentada pelo menos uma vez na vida. Nos últimos 10 anos, de cada 25 homens acusados de estupro no país, 24 saíram livres da punição.

 

Segundo estatísticas do Conselho da Europa, no ano passado, 121 mulheres foram assassinadas por seus companheiros na França, 134 na Itália, 143 na Grã-Bretanha, e pelo menos 214 na Turquia. 45% das mulheres da União Europeia dizem já ter sofrido alguma vez violência de gênero e estima-se que morram sete mulheres por dia na União Europeia por violência de gênero, segundo dados do Parecer do Comitê Econômico e Social Europeu sobre a Erradicação da Violência Doméstica Contra as Mulheres (2012).

 

Em países como a Alemanha, Finlândia, Dinamarca, Noruega e Suécia, considerados como países modelos em políticas de Igualdade de gênero, as estatísticas demonstram que cerca de 40% das mulheres nórdicas já foram ou são vítimas de violência de gênero. A Finlândia é um dos países europeus com maior taxa de incidência de violência doméstica e consequentes feminicídios.

 

Na região do Mediterrâneo Oriental (região que compreende países como Iraque, Turquia, Palestina, Israel e também a Grécia) a taxa de violência física e sexual contra a mulher chega a 37%.( OMS).

 

Um relatório, produzido pela Organização Pan-Americana de Saúde em colaboração com os Centros para Controle de Doenças dos EUA (CDC), destaca que e violência sexual contra as mulheres por parceiro íntimo é generalizada em toda a América Latina e nos países do Caribe, onde os dados da pesquisa foram coletados. Entre 17% e 53% das mulheres entrevistadas relataram ter sofrido violência física ou sexual por um parceiro íntimo. Em sete dos países, mais de uma em cada quatro mulheres relataram violência (El Salvador - 26.3%, Guatemala - 27.3%, Nicarágua - 29.3%, Equador - 32.4%, Peru - 39.5%, Colômbia - 39.7%, Bolivia - 53.3%).

 

O número claramente superior de nascimentos de meninos na Índia, China e nos Balcãs: Albânia , Kosovo e Montenegro, leva a ONU a supor o aborto seletivo . Em toda a Ásia, faltam cerca de 117 milhões de mulheres, segundo estimativas do especialista em demografia Christophe Guilmoto, do Instituto de População e Desenvolvimento da Universidade Paris-Descartes. O Conselho Europeu em Estrasburgo constatou na Albânia uma maior percentagem de abortos de embriões do sexo feminino, já fora dos prazos de aborto legal. A prática do aborto de fetos do sexo feminino devido a uma preferência por meninos é uma "epidemia" que está se espalhando para além de países como Índia e China, atingindo agora nações do Leste Europeu, advertiu um alto funcionário da Organização das Nações Unidas (ONU).

 

O sequestro de noivas é uma prática comum no Quirguistão e Turcomenistão. Quando um homem decide que é hora de casar, escolhe uma mulher, que será sequestrada. O noivo, seus parentes e amigos a levam para a casa da família, onde as mulheres mais velhas tentam convencer a mulher sequestrada a aceitar o casamento. Algumas famílias mantém a mulher refém durante vários dias para fazê-la ceder. No Quirguistão são raptadas cerca de 12.000 mulheres por ano (HNA 29.12.2013). Estima-se que um em cada três casamentos resulte de raptos. Os homens sequestram e violam as mulheres. Por vergonha de terem perdido a virgindade, acabam por permanecer ao lado do raptor.

 

No Brasil, a situação também é alarmante. Uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) divulgado em 2013 estima que o Brasil registrou entre 2009 e 2011 quase 17 mil mortes de mulheres por conflito de gênero, o chamado feminicídio, que acontece pelo fato de ser mulher. Ou seja, 5.664 mulheres são assassinadas de forma violenta por ano ou uma a cada 90 minutos.

 

Extraído de Vergonha de A a Z  - Cláudia Helena de Oliveira

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